quarta-feira, 9 de julho de 2008

O pátio e a vida de harém

"A vida de harém condiciona a organização da casa muçulmana, concebida como um recinto hermeticamente fechado ao exterior e, o que é mais peculiar, completamente disfarçado. Vagueando pelas tortuosas ruelas árabes, cheias de cotovelos e corredores, nunca se sabe se bordejamos os muros de um grande palácio ou a casa miserável onde se amontoam os deserdados. Tudo está de tal maneira imbricado, revolvido e confuso que a camuflagem é perfeita. Uma vida totalmente reclusa, sem qualquer aspecto exterior, dá lugar a uma difícil cidade sem fachadas, qualquer coisa completamente oposta à cidade clássica [Grega e Romana], onde o cenário e a fachada eram o principal. Uma tal situação tinha de levar fatalmente a organizar a vida à volta do pátio" (Goitia, Fernando. Breve História do Urbanismo, Editorial Presença, 2003, pp. 13-14).

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